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14 de ago. de 2008

Marias

Maria-sem-vergonha 1

Nós nos despedimos da melhor maneira possível. Telefonou, carinhosa como sempre foi comigo. Eu respondia fria. Estava no computador, engrenada num texto. E continuei escrevendo, enquanto falava: Hum-Hum. Hum-Hum. Tá. Combinado. Tchau . A gente se vê em Lumiar.
Ia colocando o telefone no gancho e eu chamei, do outro lado. Estava culpada de ter sido fria: Ana.
Ela voltou, ao telefone: Alô. Eu já estava desligando.
Eu: Eu sei. É só pra dizer que te amo, viu?
Ela: Eu também a você. Muito.
Eu, de novo: Eu sei. Eu tenho certeza.

Não houve Lumiar. Nos desencontramos. Não houve mais nada.
Ana se foi, em Lumiar. De repente.
Estava pertinho de mim. Os amigos do Rio vieram, de Van.

Não fui às últimas homenagens. Aquela nossa despedida, no telefone, tinha sido definitiva. Fiquei. Estava muito triste.

E só para ter o que fazer de minha tristeza comecei a furar a terra e enfiar talos de marias-sem-vergonha. Fiz um canteiro para Ana.

Agora, com as marias-sem-vergonha espalhadas e floridas, vejo o quanto se parecem com Ana. No seu amor pelo vagabundo, de gosto tão sofisticado. No seu gosto pelo riso, pelo alegre, pelo colorido.

No seu tempo de ativista política ( e, entre outras coisas, feminista), ela dizia: “Nesses grupos, quando chegam as mulheres , chegam as cores, os estampados, o riso, o barulho. Falam todas ao mesmo tempo, riem, lembram canções... E tudo se transforma.”

Então, amiga tão querida, para você, essas marias todas.


Maria-sem-vergonha 2

Aqui, em Friburgo, chamam de beijo. Dá em toda a serra. Dizem que dá em qualquer lugar, mas, se cisma, também não dá. E você planta, planta, e nada.

São lindas. As brancas estão em extinção na serra. Raro ver as brancas. E a gente planta hoje, amanhã já sumiram, já se misturaram. Alguém já me disse que o claro é recessivo, ou será que inventei isso? Não sei.

Na subida da serra, toda, elas estão lá, em todos os lugares. E me lembram sempre carnaval e confetes. Mas aqui no alto do morro, onde moro, nada, nenhuma. Pensei: Por que lá embaixo tanta e aqui nenhuma?
Conclui:
Acho que sementes não sobem morro, a não ser que levadas por inseto ou passarinho.

Decidi ser eu o inseto ou passarinho e trouxe mudas pra cima do morro. Estranharam. Depois acostumaram, gostaram. E lá vão elas se espalhando.


Maria-sem-vergonha 3

Marta, filha bióloga, me disse que a maria-sem-vergonha não é endêmica. Disse que veio da África.

Nossa! Espalhou-se tanto por aqui! Desde menina, vejo muitas. Desde menina gosto delas. Não é surpreendente isso?

Vi um paisagista – Adoro revista de paisagismo . E esse paisagista plantou uma grande extenção de encosta de maria-sem-vergonha. Uma loucura de bonito! Cultivadas, então, ficam maravilhosas. Bombam mais, de flores.

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